Christine Lagarde pode deixar o BCE antes do fim do mandato, diz Financial Times
Saída antecipada ocorreria em meio a debates sobre euro digital e regulação de stablecoins na União Europeia
A presidente do European Central Bank (BCE), Christine Lagarde, estaria considerando deixar o cargo antes do término de seu mandato, previsto para outubro de 2027, segundo reportagem do Financial Times.
De acordo com o jornal, citando uma fonte “familiarizada com seu pensamento”, Lagarde avalia uma saída antecipada antes da eleição presidencial francesa de abril de 2027. A movimentação permitiria que o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz articulassem a escolha de um sucessor.
Um porta-voz do BCE negou que haja decisão tomada. “A presidente Lagarde está totalmente focada em sua missão e não tomou qualquer decisão sobre o fim de seu mandato”, afirmou à imprensa especializada.
Euro digital e stablecoins no centro da agenda
Uma eventual mudança no comando do BCE ocorreria em momento delicado para a agenda digital da instituição.
Sob liderança de Lagarde, o banco central avançou na fase preparatória do euro digital — uma possível CBDC europeia — ao mesmo tempo em que reforçou alertas sobre riscos associados a moedas digitais privadas, especialmente stablecoins, dentro do arcabouço regulatório do Markets in Crypto-Assets Regulation (MiCA).
Autoridades do BCE têm sustentado que stablecoins em rápido crescimento podem representar riscos à estabilidade financeira e à política monetária da zona do euro, mesmo sob as salvaguardas do MiCA. Também defendem o fortalecimento de stablecoins denominadas em euro, bem reguladas, como forma de competir com tokens lastreados em dólar.
Lagarde tem sido uma crítica vocal do Bitcoin e de outros criptoativos. Em declarações anteriores, classificou o Bitcoin como “altamente especulativo” e afirmou que ativos digitais “não têm valor intrínseco”, posição reiterada mesmo com o BTC próximo de máximas históricas em 2025.
Uma troca na presidência pode influenciar o tom e as prioridades da comunicação do BCE sobre criptoativos, euro digital e arranjos de pagamento baseados em blockchain — ainda que o direcionamento regulatório geral seja definido no âmbito da União Europeia.
Possíveis sucessores mantêm postura cautelosa
Entre os nomes apontados como potenciais substitutos estão:
Pablo Hernández de Cos, ex-presidente do Banco Central da Espanha
Klaas Knot, presidente do Banco Central da Holanda
Isabel Schnabel, integrante do Conselho Executivo do BCE
Joachim Nagel, presidente do Bundesbank
Todos já manifestaram posições cautelosas em relação a criptoativos.
Nagel, por exemplo, já classificou o Bitcoin como uma “tulipa digital” e alertou contra tratá-lo como ativo de reserva. Hernández de Cos e Knot têm defendido estruturas regulatórias robustas para stablecoins e ativos digitais, enquanto Schnabel já descreveu o Bitcoin como um ativo especulativo sem valor fundamental identificável.
Cronograma do euro digital segue em andamento
Apesar das especulações sobre Lagarde, o projeto do euro digital avança.
Segundo Piero Cipollone, os colegisladores da União Europeia devem aprovar a regulamentação do euro digital ao longo de 2026.
Caso isso ocorra, está previsto um piloto de 12 meses a partir do segundo semestre de 2027, com transações reais em ambiente controlado do Eurosistema e participação limitada de prestadores de serviço de pagamento e comerciantes.
O objetivo é que o BCE esteja pronto para uma possível primeira emissão do euro digital em 2029, desde que o processo legislativo avance conforme o planejado.
O desfecho sobre a permanência de Lagarde pode, portanto, coincidir com um dos momentos mais decisivos da estratégia monetária digital da Europa.
Fonte: Financial Times e declarações públicas do BCE
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