Capital migra de tokens para ações cripto listadas em bolsa, aponta DWF Labs
Mais de 80% dos novos tokens operam abaixo do preço de lançamento, enquanto IPOs e M&As do setor disparam em 2025
O capital de investidores está migrando cada vez mais de lançamentos de tokens para empresas cripto listadas em bolsa, segundo análise da DWF Labs com base em dados da Memento Research.
O levantamento, que analisou centenas de lançamentos em exchanges centralizadas e descentralizadas, indica que mais de 80% dos projetos negociam abaixo do preço do Token Generation Event (TGE). As quedas típicas variam entre 50% e 70% nos primeiros 90 dias após a listagem.
Segundo Andrei Grachev, sócio-gerente da DWF Labs, o padrão é recorrente: a maioria dos tokens atinge o pico no primeiro mês e, em seguida, entra em tendência de baixa com aumento da pressão vendedora.
A análise excluiu memecoins e focou em projetos estruturados com produtos ou protocolos ativos. Entre os principais fatores de venda estão desbloqueios de tokens de investidores iniciais e distribuições via airdrop.
IPOs e fusões ganham força
Enquanto tokens sofrem no mercado secundário, a formação de capital via estruturas tradicionais acelera.
Em 2025, captações por meio de ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas ligadas ao setor cripto somaram cerca de US$ 14,6 bilhões — salto expressivo em relação ao ano anterior. Já operações de fusões e aquisições (M&A) superaram US$ 42,5 bilhões, o maior volume em cinco anos.
Grachev argumenta que não se trata de saída de capital do setor, mas de rotação estratégica.
Empresas como Circle, Gemini, eToro, Bullish e Figure foram comparadas a projetos tokenizados usando múltiplos preço/vendas dos últimos 12 meses.
As ações dessas companhias negociam entre aproximadamente 7 e 40 vezes receita, enquanto tokens comparáveis variam entre 2 e 16 vezes.
Acesso institucional pesa na balança
Segundo o relatório, a diferença de valuation é explicada principalmente por acessibilidade regulatória.
Muitos investidores institucionais — como fundos de pensão e endowments — só podem alocar recursos em mercados regulados. Ações também podem integrar índices e ETFs, gerando compras automáticas via produtos passivos.
Maksym Sakharov, CEO do WeFi, afirmou que, em momentos de maior aversão ao risco, investidores buscam estruturas com governança mais clara, direitos jurídicos definidos e maior transparência.
Ele destaca que empresas que operam infraestrutura — custódia, pagamentos, liquidação, compliance — oferecem exposição ao crescimento do setor com menor incerteza regulatória, tornando o “invólucro de equity” mais atrativo.
O movimento sugere uma nova fase do mercado cripto, em que capital institucional privilegia estruturas corporativas tradicionais, enquanto o modelo puro de lançamento de tokens enfrenta desafios de sustentabilidade no curto prazo.
Fonte: Cointelegraph
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