Canaan recebe alerta da Nasdaq após ações caírem abaixo de US$ 1 e risco de deslistagem aumenta
Fabricante de hardware de mineração enfrenta queda de 63% em 12 meses em meio à migração do setor cripto para inteligência artificial
A fabricante de equipamentos de mineração de criptomoedas Canaan Inc. recebeu um aviso formal da Nasdaq após suas ações permanecerem abaixo de US$ 1 por mais de 30 pregões consecutivos, colocando a empresa em risco de deslistagem da bolsa norte-americana.
Segundo comunicado divulgado na sexta-feira, a Nasdaq notificou a Canaan de que a companhia não está em conformidade com as regras mínimas de listagem, que exigem um preço de fechamento igual ou superior a US$ 1 por ação.
A empresa agora tem 180 dias — até 13 de julho — para recuperar a conformidade, o que exige que suas ações fechem acima de US$ 1 por ao menos 10 sessões consecutivas.
Ações acumulam forte queda e refletem mudança no setor
As ações da Canaan (ticker CAN) não fecham acima de US$ 1 desde 28 de novembro e encerraram a última sessão cotadas a US$ 0,79, com queda diária de 3,8%. No acumulado dos últimos 12 meses, os papéis recuaram 63%, e não superam o patamar de US$ 3 desde dezembro de 2024.
A deterioração do desempenho ocorre em um momento de transformação estrutural no setor de mineração, com diversas empresas redirecionando capital e infraestrutura para inteligência artificial e computação de alto desempenho, reduzindo a demanda por novos equipamentos de mineração de Bitcoin.
Empresa pode recorrer a grupamento de ações
Em nota, a Canaan afirmou que, caso não consiga elevar o preço de suas ações dentro do prazo inicial, poderá solicitar uma extensão adicional à Nasdaq. Para isso, a companhia teria de se comprometer com medidas extraordinárias, incluindo um possível reverse stock split (grupamento de ações), estratégia que reduz o número de ações em circulação para elevar o valor unitário dos papéis.
Caso a Nasdaq conclua que a empresa não tem condições de restaurar a conformidade, a Canaan poderá ser removida da bolsa, o que normalmente resulta em queda adicional das ações, já que os papéis passam a ser negociados no mercado de balcão (over-the-counter), com menor liquidez e visibilidade.
Pedidos pontuais não revertiram tendência
Apesar do cenário adverso, a empresa teve episódios pontuais de recuperação. Em outubro, a Canaan informou que uma companhia sediada nos Estados Unidos adquiriu 50 mil unidades do minerador Avalon A15 Pro, seu modelo de última geração. O pedido — o maior em mais de três anos — provocou uma alta de 25% nas ações, mas o movimento não foi suficiente para reverter a tendência de queda.
Caso se soma a outros alertas no setor cripto
O aviso à Canaan não é um caso isolado. Em dezembro, a empresa Kindly MD também recebeu notificação de deslistagem após suas ações permanecerem abaixo de US$ 1 por 30 pregões consecutivos. A Nasdaq concedeu prazo até junho para regularização, mas os papéis seguem negociados abaixo desse nível.
Em agosto, a Nasdaq chegou a deslistar a Windtree Therapeutics, empresa de biotecnologia que havia anunciado a criação de uma tesouraria em BNB semanas antes. Na ocasião, as ações da companhia despencaram 77% no dia do anúncio, refletindo a saída em massa de investidores.
O caso da Canaan evidencia os desafios crescentes enfrentados por empresas ligadas ao setor cripto nos mercados tradicionais, especialmente em um cenário de margens comprimidas, mudanças tecnológicas e maior seletividade dos investidores.
Fonte: Cointelegraph / Nasdaq / Google Finance
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