Câmara dos Lordes pressiona Coinbase sobre riscos das stablecoins ao sistema bancário britânico
Executivos defendem inovação e alertam que excesso de regras pode deixar o Reino Unido atrás de EUA e União Europeia
A House of Lords intensificou nesta semana o escrutínio sobre o impacto das stablecoins no sistema financeiro britânico, convocando a Coinbase para esclarecer se esses ativos digitais poderiam drenar depósitos bancários e gerar novos riscos sistêmicos.
Durante a audiência, Tom Duff Gordon, vice-presidente de política internacional da Coinbase, afirmou que stablecoins totalmente lastreadas e reguladas seriam “mais seguras do que depósitos bancários não segurados”, por manterem reserva 1:1 em caixa e títulos públicos de alta qualidade, com resgate ao valor nominal.
Ele também defendeu que as stablecoins podem reduzir custos de pagamentos, acelerar transferências internacionais e viabilizar fluxos automatizados impulsionados por inteligência artificial.
Lordes questionam risco de corrida bancária e lavagem de dinheiro
Os membros da comissão levantaram preocupações sobre:
Possível “corrida” semelhante à do Silicon Valley Bank
Transferência de risco do sistema bancário para emissores não bancários
Incentivos que poderiam estimular migração de depósitos
Uso de stablecoins em crimes financeiros
Duff Gordon rebateu que o temor de desintermediação bancária estaria “exagerado” e destacou que a Coinbase aplica rígidos controles de KYC (Know Your Customer), políticas contra lavagem de dinheiro e triagem de sanções.
Segundo ele, a transparência onchain pode, inclusive, facilitar o rastreamento de atividades ilícitas em comparação ao dinheiro em espécie.
Reino Unido pode ficar atrás na corrida regulatória
O executivo alertou que propostas mais restritivas do Bank of England e da Financial Conduct Authority — especialmente sobre exigências de capital, limites de custódia e proibição de recompensas — podem sufocar a competitividade britânica.
Ele comparou o cenário com o regime americano do GENIUS Act e com o regulamento europeu Markets in Crypto-Assets Regulation (MiCA), sugerindo que o Reino Unido corre risco de perder protagonismo global no setor.
O diretor de estratégia da Innovate Finance, Adam Jackson, reforçou a crítica, afirmando que o país pode acabar adotando um modelo “mais prescritivo e menos competitivo” do que o europeu.
Debate dividido
A audiência contrastou com sessões anteriores, nas quais críticos como Chris Giles, comentarista do Financial Times, e o professor americano Arthur E. Wilmarth Jr questionaram se stablecoins realmente se tornarão forma dominante de dinheiro no Reino Unido.
Wilmarth chegou a classificar o GENIUS Act como um “erro desastroso” por permitir que empresas não bancárias atuem diretamente no sistema monetário.
O debate evidencia a encruzilhada britânica: equilibrar inovação financeira com estabilidade sistêmica. Em um cenário global de competição regulatória, a definição das regras poderá determinar se Londres continuará como polo financeiro relevante na era dos ativos digitais.
Fonte:
House of Lords (Parliament TV); Cointelegraph.
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