Bug no Bitcoin Core pode apagar carteiras e causar perda de fundos, alertam desenvolvedores
Falha afeta versões 30.0 e 30.1 durante migração de carteiras antigas e expõe riscos da alta concentração de uso do software
Desenvolvedores do Bitcoin Core emitiram um alerta nesta segunda-feira sobre um bug crítico de migração de carteiras nas versões 30.0 e 30.1, que pode apagar arquivos locais e resultar em perda definitiva de acesso aos fundos.
O problema ocorre em condições específicas e afeta usuários que tentam migrar carteiras antigas (legacy) que nunca foram renomeadas ou atualizadas. Segundo especialistas, a falha está relacionada ao processo automático de limpeza de arquivos após a migração.
Como o bug é acionado
De acordo com Lacie Zhang, analista de mercado da Bitget Wallet, o erro acontece quando o software tenta migrar um arquivo antigo chamado wallet.dat, que não possui nome personalizado e está armazenado em um diretório de carteira customizado, geralmente definido pelo parâmetro “-walletdir”, com o modo de pruning ativado.
Nesses casos, o processo aparenta concluir a migração com sucesso. No entanto, a lógica de limpeza do sistema acaba apagando todo o diretório da carteira, eliminando todos os arquivos locais.
“Se o usuário não tiver um backup externo, a perda de acesso aos fundos é praticamente garantida, já que todos os arquivos da carteira são removidos”, alertou Zhang.
Quem está mais exposto
Segundo Shawn Odonaghue, líder de comunidade da blockchain Orbs, o problema afeta principalmente configurações muito antigas do Bitcoin Core.
Usuários que utilizam hardware wallets ou softwares de carteira mais modernos tendem a não ser impactados, já que não dependem desse tipo de migração local.
Desenvolvedores removem versões e preparam correção
A versão Bitcoin Core 30.1, lançada em 1º de janeiro, teve seus binários removidos do site oficial após a divulgação pública do bug. As versões 30.0 e 30.1 foram retiradas do ar, e os desenvolvedores orientaram os usuários a não utilizarem as ferramentas de migração até o lançamento da versão corrigida, o Bitcoin Core 30.2.
A equipe destacou que usuários que não estejam tentando migrar carteiras podem continuar rodando seus nós normalmente, sem risco imediato.
Zhang explicou que usuários mais experientes podem avaliar sua exposição verificando:
Se estão usando as versões 30.0 ou 30.1
Se a carteira é do tipo legacy
Se o pruning está ativado (via debug.log)
Se o parâmetro “-walletdir” aponta para um diretório customizado
“O risco é maior quando todas essas condições estão presentes e uma migração já foi tentada ou está pendente”, afirmou. Caso ainda não tenha ocorrido migração, a recomendação é fazer backup imediato de todo o diretório de dados e aguardar a versão 30.2 ou superior antes de reiniciar ou atualizar o software.
Domínio do Bitcoin Core amplia impacto
Dados do rastreador Coin Dance mostram que o Bitcoin Core responde por cerca de 78% dos nós alcançáveis da rede, enquanto implementações alternativas, como o Bitcoin Knots, representam aproximadamente 22%.
Esse domínio amplia o impacto de falhas, mesmo quando não são críticas ao consenso da rede.
“O principal alerta aqui é o risco de concentração”, afirmou Odonaghue. “Quando uma única implementação se torna padrão, qualquer bug ou decisão de design tem um efeito desproporcional sobre todo o ecossistema.”
Zhang reforçou que, apesar de o problema não ser “consensus-critical”, ele demonstra como falhas na camada de carteira podem escalar para riscos sistêmicos quando um único software domina o uso da rede.
Fonte: Cointelegraph, Bitcoin Core Project, Coin Dance
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