Binance avalia retorno de ações tokenizadas e reacende debate regulatório no mercado cripto
Exchange estuda reintroduzir ativos ligados a ações pela primeira vez desde 2021, em movimento que reforça a integração entre finanças tradicionais e blockchain
A corretora de criptomoedas Binance confirmou que estuda trazer novamente ações tokenizadas para sua plataforma, marcando o possível retorno de ativos digitais lastreados em ações pela primeira vez desde 2021. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto.
Em declaração ao Cointelegraph, um porta-voz da Binance afirmou que “explorar o potencial de oferecer ações tokenizadas é um próximo passo natural” para ampliar as opções aos usuários, mantendo padrões regulatórios elevados. Caso avance, a mudança representará uma inflexão relevante desde que a empresa anunciou, em julho de 2021, o encerramento do suporte a tokens lastreados em ações.
Segundo a Binance, o movimento está alinhado ao avanço recente da plataforma em ativos do mundo real tokenizados (RWAs). “Desde o ano passado, passamos a oferecer ativos tradicionais tokenizados e lançamos recentemente os primeiros contratos perpétuos de TradFi regulados, liquidados em stablecoins”, afirmou o representante da exchange.
A Binance lançou seus primeiros tokens de ações em abril de 2021, começando por papéis da Tesla e, posteriormente, incluindo empresas como Coinbase, MicroStrategy, Apple e Microsoft. No entanto, a oferta passou a enfrentar forte escrutínio regulatório, especialmente na Europa.
Autoridades financeiras da Alemanha levantaram questionamentos sobre o enquadramento dos produtos, enquanto a Financial Conduct Authority determinou, em junho de 2021, que a Binance suspendesse atividades reguladas no Reino Unido. Pouco depois, a exchange optou por encerrar o suporte aos tokens de ações globalmente.
Sinais de um possível retorno surgiram em dezembro, quando alterações na interface de programação da Binance indicaram a preparação de funcionalidades relacionadas à negociação de ações, ainda que a empresa não tenha confirmado oficialmente o plano à época. Paralelamente, a Coinbase também avalia a inclusão de ações tokenizadas em sua plataforma, segundo relatos do mercado.
Nos Estados Unidos, o tema ganhou contornos políticos. O Comitê de Agricultura e o Comitê Bancário do Senado analisam projetos para definir um marco regulatório para ativos digitais. Embora o Comitê de Agricultura tenha previsto a votação de sua proposta, a tramitação no Comitê Bancário foi adiada após a retirada de apoio da Coinbase.
O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, criticou publicamente o texto do projeto, afirmando que, se aprovado como está, representaria uma “proibição de fato” das ações tokenizadas. Outros grupos de interesse, incluindo associações bancárias e parlamentares, também demonstraram resistência, citando preocupações com stablecoins, conflitos de interesse e finanças descentralizadas.
O possível retorno das ações tokenizadas pela Binance ocorre em um momento em que o mercado busca maior clareza regulatória e alternativas para modernizar o acesso a ativos tradicionais. A discussão evidencia a disputa em curso entre inovação financeira e supervisão estatal, especialmente em grandes jurisdições como Estados Unidos e Europa.
Fonte: Cointelegraph
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