Bancos dos EUA querem barrar stablecoins com rendimento e colocam tema como prioridade para 2026
Associação bancária pressiona Congresso para proibir juros em stablecoins, alegando risco à competitividade do sistema financeiro tradicional
A American Bankers Association (ABA) colocou o combate às stablecoins com rendimento no topo de suas prioridades regulatórias para 2026. A entidade afirma que o pagamento de juros, recompensas ou qualquer tipo de yield sobre stablecoins pode transformar esses ativos em substitutos diretos de depósitos bancários, prejudicando especialmente os bancos comunitários nos Estados Unidos.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a ABA defendeu que a legislação americana deve proibir explicitamente que stablecoins ofereçam rendimento, “independentemente da plataforma”, argumentando que isso reduziria a capacidade de concessão de crédito do sistema bancário tradicional.
Segundo o presidente e CEO da entidade, Rob Nichols, as prioridades da associação refletem demandas de bancos de diferentes tamanhos e modelos de negócio. Além do tema das stablecoins, a lista inclui combate a fraudes financeiras, oposição a tetos arbitrários de juros e ajustes em regras para bancos com missões específicas.
Bancos alertam para saída trilionária de depósitos
O embate entre bancos e o setor cripto gira em torno do impacto que stablecoins com rendimento poderiam ter sobre os depósitos tradicionais. Para o lobby bancário, permitir juros nesses ativos levaria à migração de recursos para fora dos bancos, enfraquecendo sua função de intermediação financeira.
O CEO do Bank of America, Brian Moynihan, chegou a afirmar neste mês que até US$ 6 trilhões poderiam sair do sistema bancário caso stablecoins com rendimento se popularizem.
Embora o GENIUS Act, aprovado em 2025, já proíba emissores de stablecoins de pagarem juros diretamente aos usuários, o Community Bankers Council da ABA afirmou, em carta enviada ao Congresso em janeiro, que brechas regulatórias ainda permitiriam a oferta indireta de rendimento por meio de terceiros.
Por isso, a associação pressiona para que o projeto de lei de estrutura de mercado cripto inclua regras mais duras, fechando qualquer possibilidade de yield em stablecoins.
Setor cripto reage e chama temor de exagerado
Do outro lado, líderes do setor cripto rejeitam a tese de que stablecoins com rendimento representem uma ameaça sistêmica. O CEO da Circle, Jeremy Allaire, classificou essas preocupações como “totalmente absurdas” durante o World Economic Forum, em Davos.
Segundo Allaire, incentivos financeiros ajudam na adoção e retenção de usuários, mas não têm escala suficiente para provocar corridas bancárias ou comprometer a política monetária. Ele também comparou o debate atual ao que ocorreu no passado com os fundos de mercado monetário, que cresceram sem destruir o sistema bancário.
Já Anthony Scaramucci, fundador da SkyBridge Capital, alertou que proibir stablecoins com rendimento pode colocar o dólar em desvantagem competitiva frente ao yuan digital da China, que já incorpora mecanismos de remuneração.
Stablecoins no centro da disputa regulatória
O debate evidencia uma disputa mais ampla sobre quem controlará a próxima geração da infraestrutura financeira. Para os bancos, stablecoins com rendimento ameaçam o modelo tradicional de depósitos. Para o setor cripto, impedir o yield significa travar inovação e reduzir a competitividade dos EUA no cenário global.
Com o tema ganhando centralidade no Congresso e no mercado, 2026 promete ser um ano decisivo para o futuro das stablecoins — e para o equilíbrio de poder entre TradFi e cripto.
Fonte: American Bankers Association, declarações públicas de executivos do setor
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